O AFASTAMENTO DE POLICIAIS VITIMADOS PELO COVID-19
E AS MEDIDAS SOLICITADAS PELA IPA-SP

   

               Como sempre, as denúncias chegam antes das providências que a Administração deveria adotar, mas que, por uma razão ou outra, deixou de fazê-las.

 

                    Foi assim que somente depois de reportagem do jornal Folha de S. Paulo, dia 2/6/2020, soube-se que cerca de 3.000 policiais, entre civis e militares, estavam afastados do trabalho por terem sido acometidos pelo vírus Covid-19. Diz ainda que de março a maio, 15 policiais morreram vitimados pela doença.

 

              A extensa matéria jornalística, de autoria do criterioso profissional Rogério Pagnan, a quem conheço pessoalmente, não é sensacionalista, mas assusta e chama a atenção para a gravidade do quadro: em apenas três semanas, o número de afastados cresceu 275%.

 

                    Como parâmetros, a reportagem alerta que o número de afastados é quase igual a toda a força policial do Acre e diz que, no mesmo intervalo, os casos que atingiram a população do estado de São Paulo, passaram de cerca de 40 mil para quase 100 mil, um salto de 175%.

 

                   Pagnan afirma que uma das explicações para a explosão de casos é a testagem em massa a que os policiais foram submetidos, iniciada no dia 15 de maio, na Capital. Até essa data, somente os casos tidos como graves eram submetidos à testagem. Também, só a partir de março, a PM passou a adotar medidas concretas, como a utilização de máscaras e luvas.

 

               Por sua vez, a Polícia Civil ampliou as ocorrências passíveis de registro eletrônico e, também, passou a distribuir equipamentos de proteção a seus policiais.

 

                 Ao ser ouvido, o Dr. Gustavo Galvão Bueno, presidente da Associação dos Delegados, do total de infectados 356 são policiais civis, o que, segundo ele, representa muito diante do efetivo de cerca de 23 mil homens e mulheres.

 

                Conquanto não citados na reportagem, os guardas civis metropolitanos, que hoje se aproximam de 8.000, exercem função semelhante à dos policiais militares, portanto sujeitos à contaminação.

 

                   O quadro é grave e tem outras implicações, como a falta de uma assistência médica preventiva permanente e a inaceitável defasagem do efetivo das polícias, que, como vimos denunciando há muito tempo, é altíssima.

 

                Diante de tão insólita conjuntura, a IPA-SP houve por bem oficiar às chefias de cada um dos três segmentos policiais envolvidos, solicitando providências a respeito.

 

     Leiam o teor de cada um dos ofícios entregues no dia 10/6/2020, mediante recibo.

 

 Jarim Lopes Roseira

            Presidente da Seção Regional da IPA em São Paulo