ELEIÇÕES 2018

ENCONTRO COM OS POLICIAIS CANDIDATOS NA SEDE DA IPA-SP

Relatório

Conforme amplamente divulgado, após consulta ao TRE, a diretoria da IPA decidiu realizar, no dia 18/9/2018, um Encontro com os policiais candidatos, para que estes tivessem a oportunidade de expor ao universo dos integrantes de todas as carreiras da Polícia Civil e a quem mais comparecesse, suas plataformas política.

Compareceram e foram recepcionados por diretores da IPA-SP, os candidatos (por ordem alfabética) CÍCERO FLORIANO , Escrivão de Polícia e Professor na Academia de Polícia, que concorre ao cargo de Deputado Estadual, pelo PROS; GEORGES HABIB JARROUGE , Investigador de Polícia, candidato a Deputado Estadual pelo SOLIDARIEDADE; LUIZ FERNANDO BRASILIENSE – “TANDÃO” , Investigador de Polícia, postulante ao cargo de Deputado Federal pelo PPL; Dr . MAURÍCIO JOSÉ LEMOS FREIRE , Delegado de Polícia, candidato a Deputado Federal pelo PSD; Dr. PAULO ROBERTO QUEIROZ MOTTA , Delegado de Polícia, candidato a Deputado Estadual pelo PR e Dr. ROMEU TUMA JÚNIOR , Delegado de Polícia aposentado, postulante ao cargo de Deputado Federal pelo PRB.

1 - Às 18:40 hs., abrindo os trabalhos, o presidente da IPA-SP, Jarim Lopes Roseira e o Vice-Presidente, Rodomil Francisco de Oliveira, deram as boas-vindas aos convidados, expondo a todos o objetivo do Encontro que é o de fazer com que o universo de policiais do serviço ativo, aposentados e pensionistas, seus familiares e amigos, passem a conhecer a plataforma de trabalho a que cada candidato se propõe desenvolver, se for eleito. O presidente convidou o Escrivão de Polícia José Airton Marques para secretariar a Mesa organizadora dos trabalhos e por consenso de seus membros e dos candidatos presentes, o primeiro a fazer uso da palavra foi o Dr. Maurício Freire , candidato a deputado federal, que começou dizendo que no dia três deste mês de setembro completou 41 anos de serviço policial, iniciados no cargo de Investigador, antes do atual de Delegado de Polícia, no qual se encontra há mais de 35 anos. Disse ser policial por convicção e vocação e se “mil vezes nascesse, mil vezes policial seria”. Disse que sua campanha se embasa num tripé, com quatro ramificações: Segurança, Educação, Integridade e Família, sob o lema “unindo as forças do bem”.

Disse lamentar a defasagem do efetivo e dos recursos atualmente destinados à Polícia Civil, citando o caso do “GARRA", que chegou a trabalhar com vinte equipes compostas de quatro policiais cada e que hoje está reduzida a quatro equipes com dois homens. O SAT (Serviço Aerotático), onde atualmente trabalha, chegou a ter quatro helicópteros e hoje tem apenas dois, um dos quais passa por demorada reforma estrutural, enquanto a frota da Polícia Militar chega perto de trinta aparelhos. A Polícia Civil precisa reagir, afirmou. Há muito a ser feito no âmbito federal, onde a polícia judiciária de cada estado precisa estar representada, disse.

Comprometeu-se a trabalhar para por fim às audiências de custódia, além de atuar no sentido de que os presos cumpram suas penas integralmente, restringindo-se, radicalmente, as saídas temporárias em datas comemorativas.

Defenderá alteração no “Estatuto do Desarmamento”, de modo a que cada cidadão decida, livremente, se deve andar armado ou não. O lema de sua campanha é “unir as forças do bem”.

2 - Na sequência, também por consenso, foi a vez do candidato Georges Habib, Investigador de Polícia do serviço ativo (plantão), candidato a deputado estadual, que se declarou bacharel em Direito, tecnólogo e pós-graduado em Gestão Pública. Disse trabalhar no cargo desde 1989, quando passou a se interessar pelas lutas associativas e sindicais dos policiais, passando a atuar intensamente, ajudando a criar o movimento “União pela Dignidade do Policial”. Participou de praticamente todos os movimentos reivindicatórios dos agentes da Segurança Pública, sem distinção de carreira, cargo e/ou local de trabalho.

Elencou dez propostas que se compromete a defender e que se resumem, basicamente, na tentativa da recuperação do poder de compra dos policiais da ativa, aposentados e pensionistas.

Disse da sua intenção de defender, veementemente, a reposição das perdas decorrentes da inflação, nos termos do que prevê a Constituição Federal e que não vem sendo cumprida.

Fez apelo no sentido de que a representação de cada segmento da Polícia Civil deixe sua zona de conforto e trabalhe para que a Instituição seja representada por integrantes dos seus mais diversos segmentos. Agradeceu a todos.

3 - Em seguida, foi a vez do Dr. Paulo Queiroz , candidato a deputado estadual pelo PR, fazer sua explanação, que se iniciou com a citação do que consistiu sua trajetória na Polícia Civil, inicialmente como Investigador de Polícia, cargo em que trabalhou por quase vinte anos, em unidades da chamada “linha de frente” do combate ao crime contra o patrimônio, do antigo DEIC.

Como delegado, trabalhou nas mais diversas unidades, da capital e do interior, marcadamente em Bragança Paulista, onde foi um dos criadores da Associação de Proteção e Amparo aos Encarcerados – APAC, iniciativa de grande alcance social, que depois se espalhou por diversos municípios. Ainda na ativa depois de mais de quarenta anos de serviço, trabalha na Delegacia de Homicídios da Seccional de Polícia de Osasco. Ocupou a vice-presidência da IPA-SP, de 15/12/2015 até quando foi obrigado a se afastar para poder concorrer ao cargo de deputado, na eleição que ora se avizinha.

Disse que a família policial civil tem hoje aproximadamente 60 mil pessoas, o que dá para eleger muita gente. Há espaço para todos e disse desejar sucesso a cada policial concorrente.

Prometeu defender o GAT (Gratificação de Acúmulo de Titularidade) para todas as carreiras; o nível superior para Escrivães e Investigadores. Criticou os políticos que não cuidam da segurança, da educação e da saúde. Pediu para que todos se unam para “povoarmos” a Assembleia e o Congresso com policiais civis. Primeiro fortalecer a Polícia Civil, seus salários, para, depois tratarmos da unificação. Nossa causa é, primeiramente, pela Polícia Civil e pela GCM, que é nossa aliada.

4 – Na sequência, falou o Dr. Romeu Tuma , candidato a deputado federal pelo PRB, que disse ter-se aposentado depois de 35 anos de serviço, e irá falar com toda a franqueza, pois o momento é de muita delicadeza para o país e para a nossa Polícia Civil, que não tem nenhuma força institucional, independente de nomes e cargos. Autodenominou-se um “sincericida”. Lembrou que ficou quatro anos na Assembleia Legislativa, lutando pela aprovação do AOL (Adicional Operacional de Localidade), que era diferenciado de acordo com a população, até ser unificado para todos indistintamente.

Disse ter lutado pela aprovação da data-base, lembrando que até hoje tramita na ALESP uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) tratando da eleição do Delegado Geral de Polícia, com o voto de todos os policiais civis do serviço ativo, o que ainda defende, embora isso não seja prioritário.

Lembrou que nesta eleição a Polícia Militar está concorrendo com 77 candidatos a cargos eletivos e, na Polícia Civil, sequer se sabe quantos são, nem mesmo a Administração.

Afirmou que precisamos de grandes transformações mas se disse contrário à ida da Polícia Civil para a Pasta da Justiça, sendo a favor de uma Polícia única, bem treinada, capacitada e bem remunerada. Alegou ser favorável ao sistema de cotas para o ingresso na carreira de delegado de Polícia, assim como de uma Lei Orgânica Nacional para a Polícia Civil. Finalizando, afirmou “política não é profissão e o mandato eletivo só deve se renovar apenas uma vez.

5 – Dada a palavra ao Escrivão de Polícia Cícero Floriano , postulante ao cargo de deputado estadual pelo PROS, disse que trabalha numa das unidades da DGP e se reportou à sua condição de professor na Academia de Polícia de São Paulo e de monitor na SENAP.

Ressaltou que um dos motivos pelos quais postula uma vaga na Assembleia Legislativa é o desejo que tem de contribuir para o fortalecimento das instituições, em especial daquelas que tratam das questões sociais, especialmente o combate à violência.

Informou que há seis anos sofreu a perda de um irmão, policial militar, assassinado por três marginais, tragédia que o obrigou a, em investigação paralela, identificar e prender os criminosos.

Pretende se integrar às lutas associativas e sindicais com vistas a conquistar benefícios que possam melhorar a segurança das pessoas, defendendo a criação de um Fundo Especial para a Polícia Civil; nível superior para todas as carreiras; reposição de cargos vagos e eleição do ocupante do cargo de Delegado Geral através de lista tríplice, em que todos os policiais tenham o direito de votar. Defende que o dinheiro arrecadado com as taxas de inscrição nos concursos para ingresso na Polícia Civil reverta para a Instituição. Prometeu se empenhar para que a paridade e a integralidade sejam garantidas aos policiais que se aposentam. Finalmente, falou de um estudo feito por alunos de pós-graduação que comprova que, se continuar no ritmo que vem, em dez anos a Polícia Civil estará reduzida a menos de 50 (cinquenta por cento) do que é hoje, o que considera de grande gravidade. Defende a reformulação do IAMSPE.

6 – Por último, falou o Investigador de Polícia Luiz Fernando Brasiliense, conhecido como “TANDÃO”, candidato a deputado federal pelo PPL, o qual disse que sempre exerceu as funções do seu cargo com extrema dedicação, motivo pelo qual granjeou o reconhecimento dos seus chefes e da população das unidades policiais em que trabalhou, quase todo o tempo na Zona Leste de São Paulo.

Disse que a razão de ser de sua candidatura é o desejo de servir à sociedade e à Instituição Policial Civil, esta última tão carente de reconhecimento. Falou da dificuldade que vem enfrentando para dar andamento à sua campanha de candidato, tendo chegado a pensar em desistir: “meu partido é pequeno, não tem e nem repassa qualquer valor para custear as despesas dos candidatos. Até os “santinhos” que vem distribuindo foram pagos com o seus parcos vencimentos de Investigador de 2ª classe, pouco mais de R$ 4.000,00 (quatro mil Reais) mensais.

Afirmou ter sido candidato ao mesmo cargo (deputado estadual), no ano de 2012, tendo obtido mais de 8.000 votos, o que o anima a continuar tentando atingir seu objetivo de representar a categoria a que pertence e o povo da Zona Leste. Disse lamentar que a Polícia Civil ainda não tenha acordado para a necessidade de se unir e procurar eleger representantes políticos.

O mediador do Encontro mostrou-se sensibilizado com o relato do candidato “Tandão”, estimulando-o a continuar a caminhada, a despeito das dificuldades.

Não havendo mais candidatos a falar, o Mediador resolveu apresentar e franquear a palavra ao Investigador de Polícia Alberto Sabino de Oliveira , que por questões a serem por ele explicadas, teve sua candidatura a deputado estadual não registrada no TRE.

Sabino disse ter experiência de pelo menos três candidaturas anteriores, desde o tempo em que liderou um movimento de rua de policiais, chegando a ser conduzido “preso” à Corregedoria Geral da Polícia Civil, por ordem do então corregedor Dr. Guilherme Santana.

Disse não se conformar com a situação de abandono em que se acham as polícias, sem efetivo e sem instalações dignas para alguns de seus órgãos.

Afirmou que na condição de presidente da Associação de Defesa dos Integrantes da Segurança Pública – ADISPESP, pretende continuar defendendo todos os policiais e denunciando o que chamou de mazelas crônicas da área da segurança pública.

Quanto ao não registro de sua candidatura, atribui o fato a uma espécie de complô por parte da direção do partido (PSL), presidido pelo candidato ao Senado, deputado Major Olímpio.

Por ter comparecido espontaneamente e permanecido até o final dos trabalhos, a direção do Encontro convidou a emitir sua opinião sobre o evento, a pessoa do Dr. Marcos Fernando Andrade, um dos advogados do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo – SISPESP, o qual se disse muito satisfeito com o nível das propostas dos candidatos e que tem a experiência de quem já concorreu a cargo eletivo. Disse ter achado que todos têm potencial para se elegerem pois sabem muito bem o que a classe policial necessita e espera dos que vierem a representá-la, seja na ALESP, seja na Câmara Federal e até mesmo no Senado.

Enalteceu a louvável disposição daqueles que se candidataram, dizendo saber, como ninguém, das injustiças porque passam os servidores públicos em geral e os policiais em particular. Desejou boa sorte a todos e se colocou à disposição.

Pela mesma razão, foi dada a palavra ao também advogado Dr. Roberto Eduardo, convidado pelo vice-presidente Rodomil, o qual teceu considerações elogiosas ao Encontro, sintetizando que “policial vota em policial” e que sempre defendeu os direitos servidores em geral.

Dois policiais presentes, influentes formadores de opinião e militantes das causas dos policiais, Investigadores de Polícia Celso Batista e Wagner Nunes Leite Gonçalves, também emitiram suas opiniões, sempre na linha de que falta união no meio policial e que o Encontro foi muito oportuno e produtivo.

O Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo se fez representar na pessoa dos diretores Iso Martins e José Airton Marques, este último tendo prestado valiosa contribuição, anotando tópicos das falas de cada candidato, no que chamou de “Resumão”.

Mereceu registro a manifestação do vice Rodomil, encorajando a todos os candidatos e em especial ao Dr. Romeu Tuma, com quem trabalhou durante algum tempo e de quem se declarou amigo e admirador, citando o livro Assassinato de Reputação, escrito pelo mesmo, sobre questões policiais.

Finalmente, o presidente Jarim disse achar que a IPA-SP tinha feito a sua parte, enquanto entidade de classe que congrega policiais de todas as carreiras, inclusive os militares, que também foram convidados, nas pessoas do Sr. Major Olímpio e do cabo Wilson Moraes, do Centro Social dos Cabos e Soldados, que não puderam comparecer devido a outros compromissos.

Agradeceu a todos que compareceram, em especial ao Dr. Aguinaldo Triunpho Avellar, advogado militante no Foro local e também candidato, que foi duas vezes ao TRE, tratar da realização deste Encontro.

Este Relatório será postado no site da IPA-SP e encaminhado a todos os associados que possuem e-mail (aproximadamente 400) .

 

Boa sorte a todos.

São Paulo, 25 de setembro de 2018

Jarim Lopes Roseira

Presidente da IPA-SP

 


 
Com este título, o Professor Carlos Alberto Marchi de Queiroz trouxe a lume uma obra de grande valor, contendo uma visão histórica da instituição policial civil, desde a sua criação até os dias atuais, com reflexos na Polícia Judiciária Brasileira. Veja mais >>
Obra de autoria do Dr. José Guilherme Raymundo, Delegado de Polícia aposentado, sócio da IPA, ex-Inspetor da Guarda Civil do Estado de São Paulo, ex-Inspetor Chefe de Agrupamento da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e ex-Comandante da Guarda Civil de Guarulhos.

No livro o autor presta uma justa homenagem às Guardas Civis Municipais do Brasil, corporações que a cada dia conquistam a admiração e o respeito do povo brasileiro.
 
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